Baccano! é uma série de anime com um total de 16 episódios (série de 13 episódios mais OVA de 3 episódios), adaptada das light novels escritas por Narita Ryohgo sob o mesmo título e produzida em 2007 pela Brains Base.
Estamos nos inícios dos anos 30 e nos Estados Unidos vivem-se tempos tumultuosos. São os tempos da Grande Depressão, do crime organizado, das grandes famílias mafiosas e da proibição do álcool. A tudo isto junta-se uma longa viagem de comboio, um grupo de imortais, alquimia, uns valentes litros de sangue e alguma comédia.
Parece confuso? É essa a intenção. Não é por acaso que o título pede emprestado o termo italiano para “grande confusão”. Em apenas 16 episódios, são-nos apresentadas quase 30 personagens, com personalidades individuais bem construídas e definidas. Cada uma tem as suas qualidades e defeitos. Cada uma tem os seus segredos e a sua história. Torna-se até difícil afirmar com certeza quem serão as personagens principais da série, sendo aliás esta uma das primeiras questões que a série coloca ao espectador. Miria e Isaac parecem ter o maior tempo de antena, estando no centro da maioria dos eventos, mas não são claramente as personagens impulsionadoras da acção. Talvez Firo, que nas palavras da pequena Carole, “tem ares de protagonista” ou até mesmo Rail Tracer, o monstro que aterroriza os passageiros na travessia do comboio “Flying Pussyfoot”. E é esta dúvida que enriquece tanto a série: não havendo uma personagem que se destaque das outras, todas acabam por ser desenvolvidas, tendo um papel activo na história e providenciando ao espectador perspectivas diferentes e únicas sobre os eventos que vão tendo lugar.
Outra questão levantada inicialmente prende-se com a narrativa em si. Por onde começar a contar esta história? Qual o evento que desencadeou todos os outros? Terá sido a viagem de comboio de 1931 ou os eventos de 1930? Ou será preciso recuar até 1711, a bordo do Advenna Avis? Talvez por nem o realizador saber dar uma resposta a isto, a história não se desenrole linearmente. Ao longo dos episódios, a série avança e recua cronologicamente, atribuindo ao espectador o papel de estruturador do argumento. Só no final da série se percebe como e quando tudo se desenrolou.

Em termos técnicos, toda a realização da série merece louvor. A (des)ordem das cenas não é tão aleatória como possa parecer e a cinematografia é fantástica – a própria colorização, que usa e abusa dos tons amarelados e a acastanhados, a fazer, por vezes, lembrar fotografias antigas em sépia, faz-nos transportar para a época da Grande Depressão, servindo também para este efeito a fantástica e apropriada banda sonora, onde o jazz e o swing predominam, tal como é suposto. A arte é bastante agradável e a animação consegue por vezes ser um regalo para os olhos, especialmente no que toca às sequências de acção, brilhantemente coreografadas.
No entanto, não podemos negar que o factor da não-linearidade argumentativa é suficiente para alguns fãs se afastarem da série nos primeiros episódios, com a sensação de não estarem a conseguir acompanhar a série. Mas Baccano! torna-se cativante, precisamente porque - apesar da confusão aparente de personagens e de argumento – nos deixa embrenhados na história, apresentando-a como um desafio. A nós, espectadores, é-nos pedido para juntar as peças do puzzle; para construir a história não só em termos cronológicos, ao estruturar mentalmente a verdadeira sequência dos acontecimentos, mas também através dos vários pontos de vista de cada uma das personagens e ver como cada uma influenciou ou foi influenciada por esses mesmos eventos. E, como um puzzle, só no final, nos podemos afastar e admirar a unidade como um todo.





